Análise evidencia o racismo ambiental nas enchentes do Rio Grande do Sul

29 de outubro de 2025

por Isadora Gonçalves Eleutério Dias Araújo


Racismo ambiental e desigualdade na cobertura midiática das enchentes de 2024 no RIo GRande do Sul se entrelaçam no Trabalho de Conclusão de Curso “Mapeando o silêncio: racismo ambiental e quilombos nas enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul”, desenvolvido por Uandyléia Dias e orientado pelo professor Fabio Malini. O estudo investiga como as redes sociais digitais revelam e, ao mesmo tempo, silenciam as desigualdades raciais e territoriais expostas pela tragédia climática.

A pesquisa investigou publicações feitas entre novembro de 2023 e novembro de 2024 e partiu de uma base de 19.952 publicações. Após processos de filtragem e análise, 866 publicações foram selecionadas para compor o corpus do estudo. Os dados foram tratados para serem visualizados em grafos interativos e estáticos que permitiram identificar a formação de diferentes discursos.

  • Diagrama de Corda

  • Diagrama radial

  • Narrativa Racismo + Enchentes e Enchentes RS

A presença de postagens de denúncia e resistência compartilhadas por coletivos negros, percebe-se a presença de narrativas sobre racismo ambiental. Destacam-se também, conteúdos midiáticos que trataram o desastre a partir de uma ótica humanitária, mas que apresentavam poucas referências à desigualdades históricas e raciais. Além disso, foram identificadas narrativas sobre solidariedade, justiça ambiental e pautas sobre a atuação da imprensa nas redes sociais. 

Os resultados apontam que a mídia tradicional concentrou-se na cobertura emergencial do desastre, sem aprofundar as causas estruturais do problema. Em contrapartida, mídias alternativas e coletivos ativistas protagonizaram narrativas que reivindicam justiça climática e denunciam o racismo ambiental como um fenômeno estrutural. Para Uandyléia Dias, o mapeamento revela como as redes sociais podem ser utilizadas tanto para a visibilidade quanto para o apagamento de certas pautas. 

Grafo léxico

O trabalho mostra como análises de redes aliadas à visão crítica dos eventos podem contribuir para a leitura das desigualdades sociais presentes nas plataformas digitais. Ao investigar o silêncio e dar visibilidade às vozes marginalizadas, o estudo propõe transformar o mapeamento de redes em um ato de memória e reparação simbólica, mostrando que, diante da catástrofe, o silêncio também é um dado e precisa ser cartografado.

Uandyléia Dias apresentando seu trabalho de conclusão de curso no Laboratório de Internet e Ciência de Dados

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