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Entre a lama e o apagamento: Racismo ambiental e a (in)visibilidade quilombola no retrato midiático da enchente de 2024 no Rio Grande do Sul.

ALVES, Uandyléia Aparecida Dias


Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Departamento de Comunicação Social do Centro de Artes da Universidade Federal do Espírito Santo, como requisito parcial para obtenção do grau de Bacharel em Jornalismo.

Resumo:

O presente trabalho investiga como o racismo ambiental se manifesta na cobertura midiática das enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul, com ênfase na invisibilidade das comunidades quilombolas. A partir da hashtag racismo ambiental, foram analisadas 866 postagens publicadas no Instagram entre novembro de 2023 e novembro de 2024, coletadas por meio da plataforma Content Library (Meta) e processadas via softwares Ford/Labic e Gephi, com base na análise de redes e conteúdo digital. A pesquisa adota uma abordagem empírico-qualitativa, amparada por autores como Robert Bullard, Kabengele Munanga, Silvio Almeida e Stuart Hall, articulando as dimensões de raça, território e injustiça ambiental. O estudo mostra que, embora haja perfis engajados na denúncia de desigualdades climáticas, as narrativas predominantes na esfera digital ainda marginalizam os quilombos gaúchos. As enchentes, tratadas como tragédias “naturais” pela mídia hegemônica, enfatizam estruturas históricas de exclusão racial e negligência institucional. A análise evidencia o papel das redes sociais como espaços de disputa simbólica e resistência, ainda que limitadas por algoritmos e dinâmicas de poder. Ao colocar a comunicação social em diálogo com a justiça ambiental e racial, esta pesquisa propõe uma crítica à lógica espetacularizada das coberturas jornalísticas e reforça a urgência de práticas comunicacionais comprometidas com os direitos das populações vulnerabilizadas

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